sexta-feira, 25 de maio de 2012

DOIS REGISTROS DE TERROR


Brejeira
A caçula se escondeu
E gritou pelo pai.
Procurei no labirinto da memória
A absurda eternidade
De um buraco negro na matéria
Onde a menina, se caísse,
Vagaria para sempre.

Faceiro
O marido me trouxe
Rosas vermelhas.
Enfeitei o vaso e a sala
Desejando
Que flores nunca murchassem.

Enquanto faço tranças
Na caçula
Reparo numa das rosas:
O pescoço da corola
Curva-se
Querendo morrer.

Não filha,
Trançar cabelo não cansa.
Este suspiro é de puro alívio.


 todos os direitos reservados AKEMI WAKI

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