sexta-feira, 25 de maio de 2012

NOSTÁLGICO



                                                           “Embriagá-los-ei para que se regozigem
                                                e não acordem, diz o Senhor.”
                                                                                              JEREMIAS

1.
Escrevo no limite
: transpô-lo é suicídio;
  recuar, morte lenta.

Desembestada morte,
fibra que pulsa, pulso de fera,
minha chibata é a pena.

Experimentar a cena de ser
é vibrar a corda e recuar,
cutucar a fera, representar.

Me resta domar, calma paralisia.


2.
Reconhecer entre juncos a face
do limite: os flancos retesados
espreita, coração retido.

Há sempre um velho índio a espreitar
uma nuvem branca. Na memória o espanto
de fogueira acesa, cinzas no flanco.


3. Devo ter visto chuva caindo
-         folhas de chá ou sais de prata  –
quando queriam ventos quietos
para redimir fomes irrequietas.


A redenção de Jacó, das mandrágoras,
foi escorchando álamos, aveleiras
e verdes plátanos, reconhecer
a genética dos deuses.
Aos gados não os quero
brancos, pretos ou malhados.
Só ao fato que me coloca
No limite dos rios, areias
E bancos.


4.
O que se repete é o que não lembro.
Rasurei o propósito do corpo
e a memória passada a limpo
é apenas uma vida, um limite.

Esta memória marcha contra o tempo.
São soldados espanhóis na mata antiga
buscando morte ou vida
: prometida fonte da juventude.


5.
De quem esta promessa?
E tarda. E se processa
como vagalume fulgindo
e apagando o desconhecido.

É mística e certeza aclamando
a célula, o gen primeiro.
Fulgurando o piscar, a memória,
a força, o poder.


6.
Vejo vazio o ventre do universo
e  o  mundo órfão na tribuna. Vem
do cativeiro o poder das algemas
o temer, o saber apontar o réu.


Coube à mulher a ousadia do peso
perdido, as rugas no ventre.
Ao homem, a fuga da semelhança
do órfão com o universo.
 

 7.
O saber se esconde atrás do sono,
Um ciclo sem bocejos. Mas temo
pelo limite e pela primeira muralha.
Por nossa brincadeira de construir.


 todos os direitos reservados AKEMI WAKI

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